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Poemas.

Vãos

Um dia, bati a porta com força, imenso estrondo
E pensei que estava assim a salva – ledo engano
Presumi que assim me tornaria um ser desumano
Totalmente vacinado contra um ser tão hediondo.

Corri por todos os cantos, fechei todas as janelas
Fiz formidáveis barricadas com todos os móveis
E nos quedamos enfim – eu e a solidão - imóveis
Sob a branca luz vacilante de duas broncas velas!

E naquela semi-escuridão, suor perolando a testa
Enquanto olhava a dança das sombras na fresta
Queria controlar o incontrolável tremor das mãos;

Presumi ouvir um barulho – o coração disparado
Olhei incontinenti a porta e reconheci, petrificado
Minha consciência manter adentrando pelos vãos!


Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura

Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas, que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer

Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -

E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido

- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...



Não me entendo

Por que esta fraqueza
Gigantesca vive dentro de mim
Não entendo o por que
Não entendo nem a mim mesmo
Muitas vezes o coração
Bate forte a espera de um momento
E quanto ele chega simplesmente

Travo certas palavras não saem
Nestes momentos surge em mim
Um medo sem tamanho
Um medo de não receber
A resposta esperada
De depois não ser a mesma coisa
Sei que só sabemos das coisas
Quando colocamos a cara a tapa
E tenho isso comigo

Mas na maioria das vezes
Simplesmente não consigo
Sinto-me mal comigo mesmo
Será que uma hora isto passa?
Só espero que quando
Eu superar esta fraqueza
Já não seja
Tarde demais!!!