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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Suicídio


Ela desistiu de tudo; Ela desistiu da própria vida, Não há mais saída. 
Foi um erro incorrigível, um caminho sem volta! 
Alguns minutos depois ela percebeu que sua tentativa 
De aliviar a dor que sentira por dentro, falhara.
Então eis que teve uma ideia sórdida e diabólica; Suicidar-se. 
Sem pensar em mais nada, pegou uma corda e abaixo da corda, pôs uma cadeira...

Ela chorava desamparada e triste, pois não queria e nem podia 
Abandonar quem mais amava, mas infelizmente era preciso. 
E na última noite em que se despediu de seus pais, pediu perdão e chorou.
Ao amanhecer, ela perambulava pelos corredores da casa. 

De um lado para o outro, de cabeça baixa com as mãos para trás,
Ela pensava em como ela iria fazer isso se lhe faltava coragem. 
Então, eis que ela toma sua decisão; Prepara a cadeira, ajeita a corda...

Foi então que num grito de adeus, pôs o pescoço entre a corda, 
Empurrou a cadeira e fez o que achara que era certo, corrigiu seu erro.
E tudo que ela queria era apenas morrer em paz. 
Sem mais delongas, conseguiu se libertar.

Vazio



Minha dor em silêncio se manifesta,
E no fundo de meus olhos, dá para ver minha agonia. 
Meu peito está todo cortado, são os rasgos da tristeza... 
Os rasgos da tristeza que em meu coração está. 

Ninguém entende, ninguém me compreende e nem sabe o que se passa.
Jamais poderia dizer o que realmente é, pois nunca entenderiam.
A solidão caminha ao meu lado como uma grande e fiel amiga e 
Já não me restam mais esperanças, pois estou morrendo aos poucos... 

Essa melancolia me consome, me dá agonia e me apavora. 
O vazio foi tudo o que restou... 
Não há palavra que defina o que sinto neste momento. 
Não há nada que possa mudar isso, não existe ninguém 
Que possa fazer essa dor desaparecer de dentro de meu coração. 

Eis que dentro dele há um imenso vazio, 
No qual nada consegue preencher e 
Nada mudará isso! Abandonada enfim; 
- Somente eu, a solidão e meu coração vazio. -
Espero apenas pelo dia em que esse vazio desaparecerá...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Sombra Do Corvo

 

 - Observa – disse-me a ave negra trepada sobre o umbral da porta do meu quarto –
vês que o silêncio é interrompido por minha voz. Ouve-me agora, 
mas quando me calo, podes tu ouvir a voz do silêncio?
 - Pode-se ouvir o que não é dito? – respondi eu incrédula com a realidade da cena. 
-Não o que não é dito, mas o que poderia ser dito, ou o que poderia ser ouvido. 
- Vens tu a esta hora da madrugada fria me falar do silêncio das palavras, 
ou queres lançar enigmas sobre o vazio das idéias?

- Observa! Presta atenção no que acontece aqui. 
Quando me calo, o ar não fica mais parado. Atenta a isso! 
Mas antes de me ouvir, tudo estava paralisado. 
Nenhum movimento de idéias pairava no ar ocioso deste aposento quieto, 
mas quando te interpelei, quebrei a solidão deste recinto, e tu, com surpresa, atentaste para mim. 
Depois me calei. Todavia, o ar deste ambiente continuou a 
ecoar minhas palavras sobre tua cabeça, com todas as conjecturas que 
pularam da tua mente em virtude das minhas palavras, e mesmo que 
eu me vá daqui e não mais retorne, neste recinto ficará eternamente meu fantasma. 

Tua mente buscará a mim todas as vezes na solidão da noite, 
quando deitares na tua cama, e como não mais me terás outra vez consigo, 
tu mesmo me criarás.- Vai-te daqui, ave do mal. Filósofo ou demônio! 
Some-te daqui e leva contigo tua sombra funesta até as profundezas do inferno, 
de onde deves ter fugido, e lá te oclusas com o teu senhor, e deixa em paz a minha alma. 
E a ave negra erguendo suas imensas asas, lançou-me um olhar ferrenho e demoníaco.

 E antes de se lançar nas profundezas da escuridão da noite, 
através da janela aberta, me falou: - Sim, é mister que eu me vá. Todavia, 
minha sombra ficará. Ela estará sempre aqui, neste umbral a te observar. 
E tua própria consciência vestirá minhas penas negras, e delas e de minhas palavras, 
tua alma não mais se libertará. Nunca mais.

Doce Senhora



Morte, Oh doce senhora...
Venha ao meu encontro, leve-me contigo!
Morte, Oh doce senhorita...
Diminua meu sofrimento, leve-me contigo!

Venha! Oh Senhora das sombras, rainha das trevas! 
Conduza-me com tua música e leve-me!
Me faça querer ir á teu encontro,
Me faça acordar desse sonho! 

Liberte-me, oh doce senhorita...
Me dê uma chance para renascer das sombras!
Me enfeitice! Nunca deixe me sair deste transe
E dai-me uma chance de renascer das sombras
Para novamente ir ao teu encontro...